Meu corpo, minhas regras!

Meu corpo, minhas regras!

Durante o período da infância e adolescência, muitas pessoas possuem os seus corpos violados e falar sobre educação sexual tem sido uma importante forma de instrução e conscientização sobre os limites que não podem ser ultrapassados. 

Falar sobre “meu corpo, minhas regras” refere-se ao domínio que cada pessoa tem sobre o seu próprio corpo, e outra não pode invadi-lo. Inicialmente, este termo foi pensado pelos movimentos feministas, a fim de denunciar as violências de gênero e legitimar a autonomia sobre os seus corpos, sendo um movimento contra as regras sociais impostas aos corpos femininos.

Em alguns lugares do mundo, ainda se exerce o casamento infantil e, infelizmente, o Brasil é um dos quatro países que mais exerce essa prática, mesmo com a sua proibição. Acaba se tornando comum famílias prometerem crianças e adolescentes para outros adultos, fazendo com que não tenham poder de decisão sobre o seu próprio corpo, sendo violadas. 

Dados alarmantes

No Brasil, cerca de 26% das crianças e adolescentes se casam antes dos 18 anos e 6% antes dos 15 anos, consequentemente, gerando um maior índice de gravidez na adolescência e abusos sexuais. No País, cerca de 100 crianças e adolescentes sofrem abuso sexual diariamente e a maior parte das vítimas possui entre 0 e 19 anos.

De acordo com os dados da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), a grande maioria das vítimas que sofrem algum tipo de abuso sexual são meninas, cerca de 80% delas, principalmente, entre os 10 e 14 anos, no período da puberdade, e o seu corpo está passando por transformações. Já entre os meninos, cerca de 20% sofrem abuso sexual, sendo mais comum que o crime aconteça entre os 3 e 9 anos. 

É muito importante estar ciente que a maioria dos crimes é cometido por pessoas próximas ou conhecidas entre os familiares e, por vezes, estando frequentemente na mesma residência que a vítima.

Muitas pessoas acreditam que o abuso sexual só ocorre quando há uma violação do corpo com formas de penetração, mas não apenas. Qualquer ato que te cause desconforto ou sentimento de repulsa também é uma violação

O toque inadequado nas partes íntimas, ser forçado a fazer ou receber sexo oral, forçar que a criança ou adolescente o masturbe, ejacular em uma pessoa sem a sua autorização e forçar a penetração ou introduzir objetos no corpo de uma pessoa são formas de abuso e essas violências não são apenas físicas, elas podem ser através de falas, mensagens no celular ou telefonemas erotizados, exibição de pornografia, masturbar-se enquanto a criança ou adolescente assiste, chantagem, manipulação e outras ações.

Consequências

O abuso sexual traz diversas consequências para o corpo da pessoa, sejam fisiológicas ou psicológicas. Entre elas, podemos falar sobre IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis), gravidez não planejada, disfunção sexual, laceração nas partes íntimas e machucados e hematomas pelo corpo. Além disso, ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de pânico, autolesão e ideação suicida.

Recentemente, a apresentadora Angélica falou, em suas redes sociais, sobre um abuso que sofreu durante a adolescência, enquanto trabalhava fora do país. Em um ensaio fotográfico, vários meninos começaram a se esfregar e passar as mãos em seu corpo. 

A apresentadora disse que essa foi uma situação muito traumática em sua vida e que, por muito tempo, se silenciou. Por isso, fala sobre a necessidade de denunciar, não devendo se calar. 

Apesar de os índices de abuso entre meninos serem um pouco menores, eles também precisam denunciar. Devido à construção da masculinidade, relacionada à força e virilidade, muitos homens sentem-se acuados em compartilhar com outras pessoas quando passam por situações de abuso, como se fossem “deixar de ser homens” ou mais vulneráveis.

Conscientização e denúncia

No dia 18 de maio, falamos sobre o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil e, por isso, surge a campanha do Maio Laranja, a fim de dar maior visibilidade à temática e conscientizar um maior número de pessoas. Caso você seja uma vítima ou conheça alguém que esteja passando por qualquer situação semelhante, lembre-se de discar 100 e denunciar. Você também pode compartilhar com pessoas próximas e de confiança, montando para si uma rede de apoio. 

Não se cale, o seu corpo te pertence. Você não está só!

Indicações de leitura:

https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/violencia-sexual-contra-criancas-na-ba-e-maior-em-2021-do-que-no-1o-semestre-de-2020/

https://www.institutomariadapenha.org.br/lei-11340/tipos-de-violencia.html

https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/nos-ultimos-cinco-anos-35-mil-criancas-e-adolescentes-foram-mortos-de-forma-violenta-no-brasil

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