Na cultura brasileira, muito se fala sobre gênero e os papéis que cada um deles deve exercer, o que corresponde ao comportamento feminino e masculino na sociedade. Diante disso, é possível identificar como a sociedade constrói esses papéis que são pensados desde o período da infância, com cores, brincadeiras, estilos de roupa, desenhos infantis e assim por diante.
Já no período da gravidez, há uma projeção dos pais e familiares sobre uma identidade de gênero que ainda nem existe, passando a ser construída socialmente através dos símbolos: para as meninas são quartos rosas, bonecas para maquiar, pentear e trocar roupinhas ou brinquedos que fazem referência à atividades domésticas; já os meninos ganham bola de futebol, carros ou bonecos que simulam aventuras, como se houvesse um treinamento para ser um adulto que executa esses papéis de forma ideal.
No ano de 2019, uma grande polêmica se disseminou no país com a ex-ministra Damares Alves, uma advogada e pastora evangélica que se tornou ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos durante o governo de Jair Bolsonaro. Como proposta, a gestora falava sobre o início de uma nova era no Brasil, onde “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”, “menino vai ser príncipe e menina será princesa”, e ainda ressaltou o fato do estado ser laico, mas ela ser terrivelmente cristã, seguindo a referência de uma religião que historicamente tem oprimido pessoas que não seguem um padrão normativo de gênero e sexualidade.
Ressalta-se que, neste momento, fala-se sobre o passado e história da religião e não sobre os valores individuais de cada devoto.
Pensamentos conservadores ressaltam um padrão na sociedade, que gera inúmeras violências e crimes de ódio com aqueles que divergem da regra. É possível falar sobre alguns comportamentos punitivos adotados pelas pessoas, como exemplo, meninos que brincam com bonecas e são repreendidos por não cumprir de forma efetiva o papel da masculinidade, ou mulheres lésbicas que são agredidas por familiares devido à atração afetiva por outras mulheres e, ainda, temos as pessoas transgêneras, que pertencem ao grupo que está em situação de maior risco de vida.
O Brasil, há 13 anos, é o país que mais assassina pessoas trans e também é o que mais mata homossexuais no mundo. É um dos países mais perigosos para se viver sendo uma pessoa LGBTQIA+.
Presentemente, muitos espaços tentam levantar a temática sobre educação sexual. Inclusive, no ano de 2014, o Ministério da Educação (MEC) buscou incluir a pauta de educação sexual, combate às discriminações e promoção da diversidade de gênero e orientações sexuais no Plano Nacional de Educação (PNE), mas sofreu diversos ataques por movimentos conservadores no Brasil, como se a proposta do Governo tivesse o objetivo de doutrinar os jovens a se tornarem LGBTQIA+, argumentando que as pautas de gênero não são convenientes ao ambiente escolar.
A proposta é apresentar a diversidade para a sociedade, compreender as diferentes realidades e reduzir os índices de discriminação e violência às minorias do país. Se o governo, a escola e a família se nega a auxiliar os jovens no processo de construção identitária, como ele entenderá melhor sobre si e sobre o seu corpo?
Deve-se estar ciente de que o gênero não está relacionado diretamente à anatomia dos órgãos genitais, mas sim a autoimagem de cada indivíduo, já que a identidade de gênero se trata de uma relação pessoal e da percepção de si mesmo. Não existe um padrão de gênero e sexualidade para seguir, não existe um comportamento que especifique cada um.
As pessoas podem se identificar como cisgêneras, transgêneras, femininas, masculinas, não-binárias, gênero neutro, agêneras, gênero fluido, queer e outros.
Enquanto a sexualidade, podem ser heterossexuais, homossexuais, pansexuais, bissexuais, ou assexuadas, este último em caso de ausência do desejo sexual, que é diferente do desejo afetivo.
Em uma sociedade que estabelece normas, o que diverge é percebido com diferença e estranheza. A ausência de instruções constrói adultos preconceituosos, que discriminam e violentam outras pessoas, de forma física e verbal. Essas violências geram inúmeros danos à saúde mental das pessoas LGBTQIA+, por vezes, se percebendo como um erro ou algo que não deveria existir, já que a sociedade as discrimina dessa forma.
Depressão, ansiedade, ideação suicida, auto lesão, abuso de álcool e outras substâncias são apenas alguns sintomas que podem surgir. As pessoas precisam aprender e normalizar e acolher as diferenças, afinal, nem todas as pessoas são iguais, e nem precisam ser.
Assista ao vídeo que preparamos e explica melhor sobre Raça, Gênero e Sexualidade:
Indicações de leitura:
https://www.politize.com.br/ideologia-de-genero-questao-de-genero/
https://painel.programasaudeativa.com.br/materias/saude-da-mente/lgbtfobia-afeta-saude-emocional
https://exame.com/brasil/pelo-12o-ano-consecutivo-brasil-e-pais-que-mais-mata-transexuais-no-mundo/
