A importância das redes de apoio em casos de autolesão ou ideação suicida

A importância das redes de apoio em casos de autolesão ou ideação suicida

Você sabe o que é uma rede de apoio? Imagine que você passou por uma questão de saúde e precisou ficar hospitalizado após uma cirurgia, durante a semana, e diferentes pessoas vão lhe visitar e cuidar de você. Essas pessoas prestam todo suporte necessário para que você tenha um retorno tranquilo à sua casa, organizam as acomodações e checam se você está confortavelmente bem. 

Este é um exemplo de rede de apoio. São pessoas que colaboram de forma ativa quando você precisa e elas apresentam disponibilidade, seja para questões de saúde, desabafos ou compartilhar momentos da vida.

Pensando no aumento dos índices de autolesão e ideação suicida entre os adolescentes, podemos nos atentar para a importância das redes de apoio no acolhimento e cuidado desses jovens. 

Cerca de um em cada cinco adolescentes relatam já ter se ferido para aliviar as dores emocionais. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o suicídio é a segunda principal causa de morte nos jovens com idade entre 15 e 29 anos, surgindo, principalmente na adolescência, as ideações suicidas.

Como exemplo, é possível citar um ocorrido em uma escola do interior de São Paulo, onde 9 estudantes utilizaram as lâminas do apontador de lápis para se autolesionar. O ato iniciou com apenas uma pessoa e, em seguida, outros reproduziram a mesma ação. Uma delas chegou a dizer que “achava que me machucar – de qualquer maneira – podia aliviar aquela dor que eu senti”. 

A autolesão é o ato de machucar-se intencionalmente de forma superficial ou moderada, sem intenção suicida, e pode ser descrito como o ato de se cortar, bater, morder, beliscar, derramar materiais corrosivos sob a pele ou qualquer outra forma de provocar um ferimento. 

O ato pode ter diversos significados, como aliviar-se de sensações de vazio ou indiferença, cessar os sentimentos ou sensações ruins, aliviar os altos níveis de estresse e tensão, entre outros. 

Como forma de lidar com as intensidades vivenciadas no período da adolescência, muitos jovens têm recorrido a comportamentos suicidas, impulsivos e agressivos com os outros e consigo mesmo como forma de lidar com tudo que é vivenciado, e a ideação suicida é considerada como um passo significativo para um eventual suicídio

No Brasil, os dados vêm aumentando e, muitas vezes, os familiares não possuem instruções sobre o que fazer, ocultando o caso e gerando ainda mais riscos. 

Para se estar ciente, ideação suicida é o pensamento ou ideia suicida, ou qualquer desejo, atitude ou plano que envolva a vontade de tirar a sua própria vida, podendo variar pela criação de um plano ou apenas um desejo passageiro.

No site do Hospital Santa Mônica, eles falam sobre alguns sinais de alerta para que seja possível se atentar. Entre eles, estão: 

  • Falar sobre suicídio – por exemplo, fazer declarações como “eu vou me matar”, “eu gostaria de estar morto” ou “eu gostaria de não ter nascido”;
  • Conseguir meios de tirar sua própria vida, como comprar uma arma ou estocar pílulas;
  • Retirar-se do contato social e preferir ficar sozinho;
  • Ter mudanças de humor, como estar emocionalmente alto em um dia e profundamente desanimado no outro;
  • Estar preocupado com a morte, morrer ou violência;
  • Sentir-se preso ou sem esperança em relação a uma situação;
  • Aumento do uso de álcool ou drogas;
  • Alterar a rotina normal, incluindo padrões de alimentação ou sono;
  • Fazer coisas arriscadas ou autodestrutivas, como usar drogas ou dirigir imprudentemente;
  • Dizer adeus às pessoas como se elas não fossem mais ser vistas;
  • Desenvolver mudanças de personalidade ou ficar gravemente ansioso ou agitado, especialmente quando experimenta alguns dos sinais de alerta listados acima.

Outros comportamentos também podem ser listados como destrutivos, entre eles o abuso de drogas, constantes acidentes ou envolvimento em situações de risco. Neste caso, podem ser ações inconscientemente destrutivas. 

As redes de apoio podem estar dispostas para prestar todo suporte possível quando situações como essa ocorrer. Às vezes, a conversa com um amigo ou um familiar que acolha o que se sente pode ser extremamente relevante para evitar maiores danos. 

O indicado é que um profissional da área da Psicologia seja acionado e, em alguns casos, o encaminhamento para um profissional da área da Psiquiatria.

Lembre-se: caso precise de ajuda, você pode acionar o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde (Saúde da Família, Postos e Centros de Saúde) da sua região. Você também pode ir a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h), ligar para o SAMU 192 e outros espaços de saúde pública ou privada. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece suporte gratuito, via telefonema no 188 (ligação gratuita) ou através do site www.cvv.org.br que disponibiliza outras modalidades de comunicação. 

Indicações de leitura: 

https://www.scielo.br/j/epsic/a/7Pjtyv563z97nVQDJZc9GVt/?lang=pt

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-711X2019000200002

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/06/02/adolescentes-que-se-automutilam-por-que.htm

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